PERIPÉRCIAS DE UM SOGRO – Episódio 2
O Barbosinha é ferrenho torcedor do Ceará. Não perde um jogo sequer e acompanha o seu querido time até quando o jogo é interestadual. Só sei é que o Barbosinha é aquele torcedor vibrante, que canta, dança, da cambalhota, faz batucada, fica muito doido, quando o vovô joga. E chora, mas chora muito, pelo seu vovô, quando ele perde. O Barbosinha nunca arrisca um palpite, ele é supersticioso e morre de medo da urucubaca. Sábado passado o Barbosinha saiu de casa, cedo, todo arrumado, camisa e calção do vovô, tênis preto da Nyke, violão debaixo do braço e uma caixa de cerveja. Foi ver o jogo no bar do canal com os amigos de sempre. Era um grande sábado. O sábado em que o vovô iria garantir sua vaga na primeira divisão do brasileirão. E tome jogo! E tome bola! Como dizia o Gomes Farias. E o Barbosinha endoidando! E tome bola! E tome cerveja! E tome bola e tome muito churrasco e buchada de bode e muita pinga. E o Barbosinha termina o jogo muito dooooooooooido... Mais pra lá do que pra cá. Sai do canal, de violão em punho, na frente da cambada, cantando o hino do vovô. E o foguetório comendo e a pinga rolando e a buchada entrando. O Barbosinha nessa altura do campeonato resolve dar um telefonema internacional pro seu desafeto, o querido genro que mora em Orlando na Florida e é torcedor do Fortaleza. Não ia nunca perder esta oportunidade da forra. Era questão de honrra. Tinha que lavar a alma. Afinal foram 16 anos sofridos ouvindo gozações. Agora ele iria à forra de qualquer jeito e era naquela hora. Não tinhas homem nenhum que o segurasse. O Zé Ricardo ainda tentou muito acalmar o pai, mas estava mais bebum que ele e não conseguia nem segurar as calças que teimavam ficar no meio das pernas atrapalhando o transito. Os dois então enfiaram o dedo no dial e discaram o 0031... E quando o Álvaro atende, os dois perfilados, com a mão no peito, cheios de moral, começam a cantar o hino do Ceará acompanhados pelo pinho inseparável. Eis que de repente a buchada ronca nas tripa do Barbosinha. Ele desafina um pouco, mas não perde o jeitão e tome hino e tome gozação. A buchada ronca novamente e dá seu aviso final... puuuuuuuuuuuummmmmmm... O Barbosinha aperta as pernas e grita: “chega Zé Ricardo!” o bode ta solto. Solto o que paim?... Solto fiiiiiiiiilho da puta, melando tudo... O mel descendo nas pernas e o Zé Ricardo chorando dizia: “mas logo no hino paim!”...
Do outro lado da linha, ofendido, muito puto, o Álvaro gritava: “ta vendo mundice do canal, só vai ser merda na primeira divisão”...
(Os personagens são meramente fictícios e qualquer coincidência é pura casualidade...ahahahahahahahahahahah)
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